Grosso modo, a ética é compreendida como um estudo ou uma reflexão, científica ou filosófica, por vezes teológica, sobre os costumes ou sobre as ações humanas. Trata-se, portanto, de um componente que permeia a vida em sociedade e, no âmbito político de uma democracia representativa, assume condição central. Não há como agir em favor coletivo sem observação atenta aos códigos sociais.

Num momento em que a temperatura política se eleva, e a proposta de ruptura passa pelo recrudescimento da palavra, convém esforços para a preservação da civilidade. Reportagem nessa edição mostra que, na Assembleia Legislativa, o Conselho de Ética não desempenha esse papel na sua integridade. Em que

pese o acirramento dos debates, o órgão da Casa lida atualmente com duas representações, cuja análise tramita em velocidade tímida. Nesse ínterim, fica-se sem sinalização da conduta que se deseja. Não se trata aqui de constranger parlamentares, que têm na palavra precioso instrumento para fazer valer ideias. Mas, para além das normas jurídicas que regem o comportamento dos agentes públicos, é indispensável o cuidado com a respeitabilidade das instituições.