Já é até lugar-comum, mas, num cenário onde obviedades são enfraquecidas para fins eleitorais, não custa lembrar. Se são as cidades a dimensão mais concreta da nossa organização política, na medida em que na prática não se habita Estados e países, a eleição municipal é talvez a mais potente expressão da democracia. É através dela que o cidadão elege políticas públicas de impacto direto na sua qualidade de vida e pode, pela proximidade, exercer fiscalização e cobrança dos eleitos.

Ocorre que o Brasil tem perdido essa oportunidade ao subordinar as eleições municipais ao enfrentamento ideológico permanente estabelecido em âmbito nacional. Embora o atual governo federal seja o herdeiro desse fenômeno, a pauta moral e mais abstrata domina o debate eleitoral desde o começo dos anos 10 desse século. Pela lógica em tempos pandêmicos, a agenda deveria ser a saúde e a economia, tanto pelo lado da recuperação de empregos e crescimento, quanto pelo aumento das desigualdades.

Reportagem nessa edição de fim de semana de
O POPULAR busca destacar a importância de se encarar desafios concretos, sem drenar energia em debates que, a rigor, só servem para acobertar a estonteante ausência de projetos por parte dos políticos.