Há leis que consagram comportamentos já cristalizados na sociedade, outras que surgem com a intenção de estimular mudanças. Mas a fria letra da lei, sozinha não consegue promover a transformação se as estruturas estiverem comprometidas com a lógica antiga. É o que se deduz a partir de reportagem na edição de ontem, quando mulheres narraram as dificuldades de sustentar candidaturas nas eleições legislativas municipais.

A política de cotas, formulada em 1995 e em especial após a regulamentação de 2009, catapultou as candidaturas femininas. No entanto, o número de eleitas não aumentou na mesma proporção. Além da dificuldade em se candidatar, as mulheres também enfrentam desafios no que diz respeito ao apoio interno nos partidos. Foi o que se viu em Goiânia, onde a falta de apoio para candidatas, entre outros motivos, se refletiu no descumprimento da cota. Nove partidos não conseguiram manter 30% das vagas às mulheres até o dia da eleição.Se as siglas quiserem de fato representar os anseios da sociedade, já passou da hora de cumprir a lei na íntegra, e não somente de forma cosmética.