Tem sido cada vez mais frequente notícias de jovens e atletas que sofreram um “ataque cardíaco” durante um exercício físico ou prática esportiva. Diante desses fatos, nunca é demais ter o acompanhamento médico antes de praticar qualquer atividade.

É comum, no início do ano, se pensar em adotar hábitos de vida mais saudáveis. E nestes planos não pode faltar o objetivo de iniciar alguma atividade física, seja a caminhada, entrar para uma academia ou mesmo iniciar um esporte coletivo. Mas é também nesta época que os cuidados com a saúde devem ser redobrados. Além de ter certeza de que o corpo está pronto para o exercício, um check-up pode evitar muitos problemas, principalmente com o coração.

O arritmologista do Hospital do Coração Anis Rassi (HCAR), Sérgio Gabriel Rassi, especializado em medicina do esporte, explica que é necessário fazer um exame médico antes de se dedicar a qualquer atividade física. “Nesta avaliação é importante levantar o histórico clínico do paciente. Outro ponto importante é o eletrocardiograma, exame simples capaz de mostrar importantes alterações elétricas do coração. Caso esta avaliação inicial (clínica + ECG) se mostre alterada, outros exames mais específicos deverão ser realizados, como teste ergométrico, holter e ecodopplercardiograma, visando diagnóstico e conduta corretos”, aconselha.

E segundo ele, a avaliação deve ser específica para cada prática esportiva, ou seja, se o teste indica que o paciente está apto a jogar tênis, não significa que ele pode correr uma maratona, uma vez que são esportes e esforços diferentes. Uma única avaliação médica não basta. O médico ressalta que é preciso fazer o exame anualmente. “Nem sempre um corpo aparentemente saudável está livre de outras doenças”, cita.

Arritmia

No Brasil, são cerca de 40 milhões de pessoas convivendo com o problema, de acordo com a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Batimento cardíaco irregular, palpitações, tonturas ou desmaios, sensação de esmagamento ou aceleração cardíaca. Esses são os principais sintomas da arritmia cardíaca, uma alteração que surge em função de um distúrbio do sistema elétrico do coração, que faz com que as contrações musculares aconteçam de forma descontrolada. Quando a arritmia está presente, os batimentos podem ser muito lentos, muito rápidos ou irregulares, prejudicando o funcionamento do órgão e, podendo implicar em angina (dor no peito), infarto, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC) e até morte súbita.

A intensidade, o tempo e a frequência da atividade física implicam na determinação do risco do paciente.

Sintomas que merecem atenção

Dor torácica, palpitações, vertigem, tontura, sudorese excessiva ou maior do que costuma ter, falta de ar, palidez, coração acelerado, batidas do coração fora do ritmo, são sinais de que se deve interromper a atividade física. Em seguida é hora de procurar o médico. O arritmologista Sérgio Rassi explica que o médico avaliará o motivo pelo qual se deu a alteração e indicará se o paciente deve interromper os exercícios físicos ou se deve alterar seu ritmo.

Verão exige mais cuidados

O médico pode ajudar a definir a modalidade esportiva mais indicada e o melhor horário para o exercício. No verão brasileiro, de altas temperaturas, o corpo sofre maior desgaste. “Nem todos os esportes podem ser praticados por pessoas com doenças cardiovasculares, em razão da intensidade do esforço. O limite para a atividade física pode ser definido por testes específicos para adequar a prescrição daquele exercício para cada indivíduo”, reforça o médico.

Dicas para quem quer começar a atividade física regular

O arritmologista do Hospital do Coração Anis Rassi (HCAR), Sérgio Gabriel Rassi, especializado em arritmias cardíacas, lista pequenas dicas de saúde que podem garantir mais segurança para quem pretende iniciar no esporte:

• Realizar consulta médica para obter atestado de liberação para a realização de exercícios;

• Utilizar calçados – tênis – confortáveis e roupas leves que permitam melhor transpiração;

• Manter adequada hidratação durante a prática do exercício físico;

• Evitar exposição excessiva ao Sol em horários inadequados;

• Usar o filtro solar em atividade ao ar livre, mesmo em dias nublados;

• Procurar professor de educação física para orientar a forma correta de execução de movimentos, além da intensidade, preferencialmente prescritos de forma individualizada;

• Buscar realizar exercícios de maior afinidade, para motivar a adesão à prática e prazer em sua realização, reduzindo seu nível de estresse.