Nossa mente é cheia de distrações. Quantas vezes você estava lendo um livro e teve de voltar, pois não se lembrava do que havia lido na página anterior? Ou numa conversa com amigos percebeu que estava “viajando” e não ouviu nada do que foi dito? Estava trabalhando e, do nada, começou a pensar na prestação do carro, em renovar a academia ou dar aquela olhada no celular para não perder nenhuma notificação? Focar a atenção em apenas uma tarefa é um desafio. A prática de mindfulness pode ser a resposta para se manter presente.

O treinamento visa refinar a atenção com exercícios diários para desenvolver a concentração. Mas aprender a meditar pode ser... estressante. Afinal, pode levar um tempo até que o cérebro entenda que o mundo não acaba se você não enviar um e-mail naquele exato instante. No entanto, o ponto principal é que o treino vale a pena, já que o cérebro também precisa de calma e descanso.

A técnica afeta até a felicidade. Em um estudo publicado na revista Science, pesquisadores da Universidade de Harvard (EUA) apontam que em 46,9% do tempo não estamos prestando atenção no que fazemos. Nossa mente “viaja” e isso nos afeta. Os dados comprovam que somos mais alegres quando ações e pensamentos se alinham. “Mindfulness é traduzido como atenção plena, um termo abrangente, que pode designar um estado mental ou um conjunto de técnicas ou exercícios mentais provindos do Oriente e que foram adaptadas para o Ocidente por meio do biólogo americano Jon Kabat-Zinn. Traduzindo o termo ao máximo, seria aprender a ter foco no momento presente”, explica a psicóloga Bruna Domingos.

Segundo ela, esse estado mental de trazer sua atenção e consciência para o momento presente pode ser treinado por intermédio de técnicas ou exercícios psicoeducacionais e meditativos. “Eles são uma parte essencial das intervenções baseadas na atenção plena. Dizemos que a meditação é a prática formal do mindfulness. Treinamos por meio da meditação para que possamos desenvolver essa habilidade em todas as atividades do nosso dia.”

Benefícios

“A prática constante e a longo prazo traz melhoras do estado mental e físico de maneira geral, até mesmo diante de quadros de dores crônicas. É válido ressaltar que toda prática de meditação tem o objetivo de acalmar a mente. Quando treinamos a atenção plena, que é a habilidade de trazer sua mente para o momento presente, aprendemos a lidar com os sofrimentos futuros ou memórias do passado. Essa consciência propicia clareza mental e eficácia na solução de conflitos, tanto externos quanto internos”, diz Bruna.

Estudos comprovam resultados positivos também na redução de estresse e ansiedade, em quadros de transtornos de humor, assim como na depressão. “Outro grande benefício é a regulação da atenção, melhorando o foco e a concentração nas atividades. E já se sabe que pessoas mais atentas sentem mais bem-estar, mesmo em situações de que não gostam, do que aquelas que são desatentas praticando sua atividade preferida.

Como toda meditação, a prática formal da atenção plena requer disciplina e comprometimento. “É um treino mental da atenção, que requer uma intenção, postura adequada e ambiente, com o mínimo de estímulos externos que possam distraí-lo. Para iniciantes, é preciso que um instrutor ajude na prática, seja presencialmente ou por meio de áudio”, explica a psicóloga.

Inicialmente, o treino da atenção plena acontece por meio da respiração, uma simples e fácil âncora que te “lembra”, durante a prática, de trazer sua mente para as sensações físicas do ato de respirar. “Por isso, o mindfulness não é tentar deixar a mente vazia ou tentar controlar seus pensamentos. O objetivo é notá-los com gentileza, sem se julgar, e trazer sua atenção de volta para sua âncora, que no caso descrito seria a sua respiração.”