Muito falada, buscada e até estudada, a empatia é o sentimento de quem é capaz de se colocar no lugar do outro, podendo ser chamada também de compreensão e respeito pelos sentimentos do próximo. Uma pessoa empática tem capacidade de lidar com a dor alheia, exercendo generosidade. É por causa desse sentimento que muita gente recebe ajuda e benevolência de pessoas até então desconhecidas. Outras vezes, esse apoio pode vir de pessoas que estão vivenciando histórias parecidas com a sua. Em casos de doenças como o câncer de mama, compreensão e compartilhamento podem fazer toda a diferença no tratamento.

A auxiliar de costura Luzia Barbosa Alves, de 57 anos, sempre preocupou-se com a própria saúde, fazendo check-ups e procedimentos de rotina regularmente. “Em maio do ano passado, durante um exame preventivo, o médico identificou um nódulo e me pediu para buscar um oncologista. Depois da biópsia, fui diagnosticada com câncer de mama. Nos primeiros dias, fiquei sem chão, muito triste e abalada. Mas na verdade nunca deixei de acreditar que seria curada”, lembra-se.

A doença foi identificada quando estava no estágio dois e, após a cirurgia para a retirada do nódulo, Luzia começou a quimioterapia. “Uma das minhas maiores tristezas durante o tratamento foi o momento em que o médico me disse que meu cabelo cairia. Sempre fui vaidosa e não acreditava que isso aconteceria mesmo, mas, quando ele caiu, fiquei sem chão mais uma vez.” Durante o tratamento, Luzia conheceu o grupo Tranquila-Mente, do setor de psicologia do Hospital Araújo Jorge, que tem como objetivo orientar pacientes, de maneira positiva, sobre como encarar o câncer e seus tratamentos.

“Foi lá que comecei a enxergar tudo diferente. Vi que existem situações piores que a minha, que a queda do meu cabelo não era algo tão ruim. Abri minha mente para conviver com o problema”, conta. Posteriormente, Luzia começou também a frequentar as reuniões do grupo Amigas do Peito, voltado para mulheres que se viram diante do câncer de mama. “Foi lá que descobri que o câncer não é tão feio como as pessoas acham. Não quando você o encara de frente. Quando você aceita que tem de lidar com o problema, tudo se torna mais fácil.”

A amizade e companheirismo encontrados no grupo incentivaram a mulher a conviver com a doença de maneira mais leve. “Você conhece cada uma delas, com sua própria história, aprende a ter fé sempre. Hoje, já passei pela quimio e pela radioterapia. Sobrevivi a essa tempestade. Venci com o apoio da família, dos amigos e dos grupos. O tratamento para essa doença não é nada fácil. A quimioterapia é realmente muito difícil. Você precisa de amor, de apoio.”

Luzia conta, ainda, que foi o Amigas do Peito que a ajudou a se ver novamente como qualquer outra mulher. “Ali, aprendi a enxergar o problema com outros olhos, o que me fez perceber que não é porque tive câncer que sou diferente das outras mulheres. Aprendi a trabalhar a minha empatia. Eu tenho muito o que agradecer a esses grupos que, com certeza, contribuíram para a minha cura.”

Ajuda emocional

Há cinco anos, Diolina do Carmo Ferreira, de 51 anos, luta contra o câncer de mama. Com casos da doença na família, desde os 40 anos ela sempre fez exames preventivos, mas em pouco meses de intervalo de um para o outro, ela viu sua vida mudar. “No início de 2014, fui à mastologista com resultados de exames. Ela me disse que estava tudo bem, mas quatro meses depois eu notei que minha mama estava diferente, vermelha e quente, como uma febre. Retornei a médica, que, com o histórico da minha família, me informou de imediato que as chances de ser um câncer eram grandes”, lembra-se.

Para Diolina, o susto foi imenso, principalmente devido à manifestação da doença ter acontecido em tão pouco tempo. “Fiz os exames e fui diagnosticada. Já estava no estágio três. Primeiro, partimos para a quimioterapia com a intenção de tentar preservar a mama, mas não teve jeito. Tive de fazer a mastectomia total. Depois, fiz a rádio e agora eu continuo na medicação, já tem quatro anos. Quando a gente descobre uma doença como essa é muito difícil, porque você não sabe como seu corpo vai reagir ao tratamento, mas eu ainda estou aqui, graças a Deus.”

O apoio da família e do Amigas do Peito é essencial para ela persista na busca pela cura. “O momento em que você descobre a doença é o mais difícil e, durante o tratamento, a quimioterapia é muito complexa. Ela provoca várias sequelas, mas o importante é você ter fé e acreditar que vai passar por isso. E o grupo de apoio é muito legal. Ele ajuda você a cuidar do seu lado emocional, já que a doença mexe com tudo. Lá, a gente aprende a cuidar e a levantar a autoestima, convive, socializa, conhece outros pacientes e recebe informações importantes”, conta.

Ainda segundo Diolina, os grupos são tão importantes quanto a família. “O câncer sempre é relacionado a algo fatal. Quando você descobre que tem, entra em pânico. Até você perceber que tem uma chance de sobreviver é um caminho longo e muito difícil. E, assim como os familiares e amigos, os grupos de apoio ajudam nesse entendimento e na vontade de lutar por essa chance.”

Amigas do Peito

Foi a necessidade de uma rede de apoio para alcançar mais mulheres que enfrentavam o tratamento para o câncer de mama que fez a psicóloga Amanda Dias de Jesus desenvolver o trabalho do grupo Amigas do Peito, do Hospital Araújo Jorge, em Goiânia. “O principal objetivo do grupo é trazer informações e descontração para as pacientes. Com a descoberta, começam a surgir muitas dúvidas e medos em relação ao tratamento e doença. Então, ele funciona como um grupo psicoeducativo. Toda primeira terça-feira de cada mês nos reunimos no ambulatório da psicologia com temas que possam ser discutidos, dinâmicas ou uma palestra. Fazemos também momentos de conversa, relaxamento e respiração.”

De acordo com a especialista, o grupo auxilia as pacientes a tirarem dúvidas e, também, a perceberem que outras pessoas estão vivenciando algo parecido com elas. “Cada qual da sua maneira, mas percebendo que podem ser ajudadas ao ouvir o outro. E, ao mesmo tempo, também podem contribuir de forma simples na vida e rotina de outra paciente. Podem ter a oportunidade de falar abertamente de suas dúvidas, o que ajuda na informação para outras mulheres. Um grupo como esse oferece apoio emocional e psicológico, trazendo benefícios como a redução de ansiedade, preocupações e medos.”

Para além do grupo

Além de ter um suporte como o oferecido por grupos, também é importante que a mulher em tratamento tenha apoio psicológico individual. “Isso porque nem tudo se consegue conversar em grupo. É importante também que a pessoa cuide da alimentação, faça atividade física, busque lazer e ocupações. Isso tudo pode contribuir para melhora na qualidade de vida da mulher que enfrenta o tratamento”, ressalta Amanda.

A família também é de extrema importância e tem um papel fundamental nesse momento. “Os familiares devem ajudar oferecendo apoio, tendo tolerância, sabendo que existem momentos certos para realizar pontuações necessárias, e acompanhado o tratamento com amor e harmonia. Ainda é preciso que a nossa sociedade aprenda a olhar de forma mais tranquila para a doença, trazendo mais segurança para os pacientes diagnosticados. Eles ainda sofrem com o preconceito e o tabu que envolve o câncer”, destaca a psicóloga.

Outubro Rosa

O câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse índice é de 29%. Em outubro, o País inteiro volta os olhares e se mobiliza em prol da conscientização sobre esse tipo de câncer. Pelo 11º ano seguido, a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, responsável por trazer o Outubro Rosa de forma organizada para o Brasil, lançou sua campanha nacional para colocar em pauta o acesso à personalização do tratamento.

O tema deste ano é #MeTrateDireito. A iniciativa visa estimular o empoderamento das pacientes, pautada na busca por um tratamento personalizado, na luta pelo respeito enquanto paciente com câncer e na defesa pelos seus direitos como ser humano. “Assim como toda mulher é única, cada câncer de mama também é bastante singular. Os pacientes precisam receber o tratamento mais adequado para cada caso, sempre tendo seus direitos respeitados como cidadão e como pessoa, individualmente, desde o diagnóstico, tratamento e controle da doença”, afirma Maira Caleffi, presidente voluntária da federação.

Nos últimos anos, os avanços na medicina têm conseguido proporcionar mais qualidade de vida, maiores chances de cura e novas estratégias para o diagnóstico individualizado, o que muda o tratamento e as perspectivas de cada paciente. A medicina personalizada tem ganhado força e se mostrado como o melhor caminho para tratamentos mais eficazes. “Os exames genéticos e moleculares são uma importante ferramenta para definir previamente a chance de desenvolver a doença e permitir a elaboração da melhor estratégia para seu enfrentamento. As mutações que cada câncer carrega, suas alterações genômicas, as características do tumor, bem como as respostas a terapias são fatores que guiam para o melhor tratamento”, comenta Maira.

Já a campanha do Instituto Nacional de Câncer no Outubro Rosa tem como tema Câncer de Mama: Juntos, sem Medo. O objetivo é fortalecer as recomendações do Ministério da Saúde para o rastreamento e o diagnóstico precoce do câncer de mama e, assim, desconstruir o medo da doença.

O movimento Outubro Rosa teve início nos Estados Unidos nos anos 1990, a partir de ações isoladas de prevenção ao câncer de mama em diferentes Estados do país. A Fundação Susan G. Komen for the Cure, em Nova York, entidade que pesquisa a cura para o câncer de mama, produziu e distribuiu os primeiros laços cor-de-rosa aos participantes da 1ª Corrida pela Cura. Mas,não se sabe exatamente quando ou como surgiu a iniciativa de iluminar as cidades com a cor que virou símbolo da campanha. A intenção é a mesma: conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção, dos hábitos saudáveis de vida e da união de esforços pela cura da doença.

Diagnóstico precoce

O autoexame é um dos maiores aliados do diagnóstico precoce do câncer de mama. Saiba como realizá-lo:

- Deitada, coloque um travesseiro sob seu ombro direito e o braço direito atrás da cabeça.

- Use a ponta dos dedos indicador, médio e anular de sua mão esquerda para sentir nódulos ou endurecimentos na sua mama direita.

- Pressione os dedos sobre a mama, observando a forma, densidade e possíveis curvaturas num movimento de mesmo sentido que vai e vem em torno de toda a mama e do mamilo até as axilas. Certifique-se de que examinou toda a mama.

- Da mesma forma, repita o autoexame com a mama esquerda, usando a ponta dos dedos da mão direita.

- Surgindo a menor suspeita, procure orientação médica imediatamente.

- O autoexame das mamas deve ser feito todos os meses, após o fim da menstruação.