A cada ano mais de 500 mil mulheres são diagnosticadas com câncer do colo uterino no mundo. Cerca de 300 mil óbitos ao ano são atribuídos a essa doença, o que configura um desafio na saúde mundial.

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), esse tipo de tumor atinge por ano 16 mil mulheres no Brasil, o que o torna o terceiro tipo de câncer mais comum entre a população feminina. Como a doença é silenciosa, cerca de 35% dos casos acaba levando à morte.

O principal causador do câncer de colo uterino é o chamado papilomavírus humano, conhecido com HPV. Aproximadamente 90% dos casos ocorrem em países pobres ou emergentes, sobretudo por estratégias vacinal e programas de rastreio populacional inadequados.

Como o HPV é transmitido?

Segundo a Dra. Michelle Samora e Dra. Marcela Bonalumi, oncologistas do Centro Paulista de Oncologia (CPO), a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus HPV em algum momento de sua vida e, apesar da infecção do trato genital pelo HPV ser comum, o desenvolvimento do câncer cervical ocorrerá em uma pequena proporção de mulheres infectadas. Isso porque a maioria destas infecções apresentam caráter transitório, em que há clareamento do vírus.

São os casos de infecção persistente por tipos oncogênicos de HPV que levam a mulher a um maior risco de desenvolver lesões precursoras ou câncer de colo uterino. Em média, o tempo decorrido entre persistência da infecção pelo HPV até lesão de alto grau cervical e o câncer em si é de 15 anos. No entanto, períodos mais curtos têm acontecido.

Há identificado cerca de 40 subtipos de HPV de mucosa genital. Aproximadamente 15 deles são classificados como oncogênicos. Os subtipos de HPV 16 e 18 são os subtipos relacionados a mais de 70% casos de câncer de colo uterino.

Como o vírus pode levar ao câncer?

A Dra. Michelle Samora e Dra. Marcela Bonalumi explicam que o processo de oncogênese do HPV consiste em algumas etapas principais: infecção pelo HPV de alto risco oncogênico, acesso do vírus ao epitélio metaplásico na zona de transformação do colo uterino, persistência da infecção com integração do genoma viral ao DNA da célula hospedeira.

A partir daí, o vírus passa a expressar suas proteínas relacionadas ao câncer, promovendo a imortalização celular. Como consequência, a depender da condição de cada indivíduo, ocorrerá o aparecimento das lesões precursoras ou mesmo o câncer.

A vacinação contra o HPV representa a melhor forma de prevenção primária. Ela resulta numa resposta imune 10 vezes mais eficiente que a viral e está disponível contra os seguintes subtipos: vacina bivalente contra HPV 16 e 18; vacina quadrivalente contra HPV 6,11,16 e 18; e a vacina nonavalente que inclui mais 5 subtipos oncogênicos os 31, 33, 45, 52 e 58. 8. Todas as vacinas possuem soroconversão próximas a 100%. A duração total de proteção ainda é incerta, estima-se em aproximadamente 9 anos; porém, estudos matemáticos indicam alta concentração de anticorpos por no mínimo 20 anos.

A vacinação contra o HPV representa a melhor forma de prevenção primária. Ela resulta numa resposta imune 10 vezes mais eficiente que a viral e está disponível contra os seguintes subtipos: vacina bivalente contra HPV 16 e 18; vacina quadrivalente contra HPV 6,11,16 e 18; e a vacina nonavalente que inclui mais 5 subtipos oncogênicos os 31, 33, 45, 52 e 58. 8. Todas as vacinas possuem soroconversão próximas a 100%. A duração total da proteção ainda é incerta, estima-se em aproximadamente 9 anos; porém, estudos matemáticos indicam alta concentração de anticorpos por no mínimo 20 anos.

Vacina

No Brasil, a vacinação como parte calendário vacinal fornecido pelo governo iniciou em 2014 e abrange meninas de nove a 13 anos. No ano de 2017 foram incluídos os meninos de 12 e 13 anos. O esquema posológico é de duas doses, a segunda após 6 meses da primeira e trata-se de uma vacina segura.