Se depender do movimento de marcas autorais, nenhuma mulher sofrerá outra vez com arames que apertam ou costuras que marcam. Deste grupo, saíram, por exemplo, as paulistanas Loungerie, que trabalha com diferentes combinações de tamanho de tórax e busto, e Janiero, que aposta tanto em shapes generosos quanto em modelagens menores. “As marcas têm investido em peças bonitas, mas principalmente confortáveis, por vezes produzindo modelos com tiras mais largas, o que ajuda na sustentação dos seios; abusando do algodão, o que melhora a respirabilidade da pele; e até produzindo sob medida para quem tem dificuldade em encontrar o tamanho certo”, explica a consultora de moda Fernanda Pimentel.

A diversidade de tamanhos e formatos dos corpos das brasileiras impacta tanto o mercado da moda íntima que a variedade está no topo da lista de motivos que mais atraem o público feminino na hora da compra de lingeries. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa feita em 2018 pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI). Segundo o levantamento, 42% das brasileiras entram nas lojas à procura de modelos que fujam do padrão “mulher magra, com cintura fina e seios fartos”.

Na visão de Fernanda Pimentel a variedade vem acompanhada por outras quatro palavras de ordem: conforto, beleza, durabilidade e praticidade. “A lingerie sempre teve um apelo estético, mas hoje em dia o processo criativo vai muito além disso. A mulher atual quer aliar forma, funcionalidade e, em alguns casos, até preocupação social.” Inspiradas por esse perfil, marcas como a paulista TitaCo., focada em sustentabilidade, e a catarinense Catafesta Clothing, que trabalha com algodão orgânico, vêm se destacando no mercado.

Enquanto a primeira aposta num design mais simples e clássico, a segunda não economiza nas cores e na funcionalidade das peças - os sutiãs, por exemplo, muitas vezes, são vestidos como um top, sem fechos ou amarrações. Se a pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) ainda representar fielmente o público feminino, marcas como TitaCo. e Catafesta Clothing terão vida longa. É que peças mais básicas já são as preferidas de 14% das brasileiras.