Mesmo quando os recursos financeiros vinham dos homens, tradicionalmente a mulher sempre influenciou muito na hora de comprar a casa própria. Nas últimas décadas, com a conquista de mais espaço no mercado de trabalho e, consequentemente, a independência financeira, elas têm não só o poder de influenciar, mas de escolha, já que na maioria das vezes elas são as responsáveis pelo financiamento parcial ou total para a aquisição do imóvel

Com mais de dez anos de experiência no mercado imobiliário, o gerente comercial do grupo Elmo, Sócrates Diniz, reconhece esse protagonismo da mulher. “Posso citar os números do mais recente lançamento da empresa. Do total de contratos fechados até o momento, 54% foram assinados por mulheres. A procura delas por imóveis tem crescido a cada ano. Há muito tempo as mulheres têm se interessado mais que os homens em adquirir um imóvel próprio. Uma característica marcante é que elas estão buscando imóveis menores para morarem só e terem mais facilidade na hora de cuidar e manter a casa”, conta. 

Segundo Sócrates, também em outros empreendimentos nos quais já trabalhou, a grande maioria dos titulares dos financiamentos também é de mulheres. “Já acompanhei diversas situações em que o marido vai ao estande, gosta do imóvel, faz a aprovação de crédito, mas se a esposa não gostar de algum detalhe no imóvel, ele não fecha o negócio.”

Elas mandam

O protagonismo feminino na definição dos gastos e investimentos das famílias está ligado diretamente a sua independência financeira. Segundo dados de uma pesquisa nacional feita pela agência de publicidade e marketing, J. Walter Thompson, em 61% dos lares brasileiros as decisões de compras são tomadas unicamente pelas mulheres, em 34% as decisões são feitas de forma conjunta entre homens e mulheres, e em apenas 3% o poder de decisão é inteiramente dos homens.   

“No caso da escolha de um imóvel, enquanto os homens são mais práticos, as mulheres são mais observadoras e detalhistas, e racionalizam mais na hora de comprar. É característica feminina observar não só as peculiaridades do imóvel, como também se a região onde está localizado. Já os homens se atêm muito à valorização do empreendimento e potencial do bairro”, explica. 

A vendedora Giselle Pereira, de 41 anos, é uma das milhões de brasileiras que encaram o desafio de comprar sua casa própria sozinha, sem ajuda de nenhum companheiro ou marido. Ela adquiriu na planta um do apartamento em Goiânia. “Optei por comprar um apartamento pela praticidade na manutenção que o imóvel oferece e também a segurança”, conta a vendedora, que atualmente mora com a mãe, pai e irmã e que vai morar sozinha quando o residencial for entregue.

Composição de renda

Na avaliação de Sócrates Diniz, cada vez mais o financiamento do imóvel pelo casal só é possível com participação da renda das mulheres. “Quando se fala em composição de renda, dada a posição que elas vêm tomando na economia brasileira, o público feminino é uma parte importante da compra”. Para se ter uma ideia, segundo a pesquisa “Mulheres Chefes de Família no Brasil: Avanços e Desafios”, realizada em 2018 pela Escola Nacional de Seguros (ENS), no Brasil, 28,9 milhões de famílias eram chefiadas por mulheres em 2015. Num período de 14 anos, entre 2001 e 2015 o crescimento foi 105%.