A década de 1990 não nos revelou uma experiência agradável em relação ao ensino de História, nos ambientes educacionais, fundamentais e médios. Podemos dizer que o ensino de História faz parte dos principais traumas educacionais de nossa época. Quem não se lembra dos questionários de vinte a trinta perguntas, que levávamos para decorar em casa? Quem não se recorda da obrigatoriedade de sabermos nomes complicados, associados a datas ou períodos históricos? Quem de nós nunca perguntou ou pensou em perguntar: “Professor, pra quê estudar uma coisa que aconteceu antes de eu nascer?”

É possível perceber que nossa relação com a História não foi uma experiência muito agradável e, até o momento atual, sofremos em pensar nas dores causadas por esse processo. A História sempre teve como finalidade a “liberdade”, sempre buscou abertura de mentes, questionamentos sobre a sociedade e as mudanças sociais. Poucos que passaram por esse processo conseguiram chegar a esse patamar libertador. O que podemos averiguar no tempo atual é que ainda existem filhos das décadas de 90, professores reproduzindo os mesmos padrões positivistas de seus antepassados.

Compreendendo esses elementos paradigmáticos, percebemos que muitos profissionais da História estavam equivocados. A História é revolucionária e, a nosso ver, existem dois elementos que são apaixonantes para um professor de História contra-paradigmático. O primeiro consiste no ato de contar história. Quem não gosta de uma boa história? Quem não gosta de ouvir um bom causo? A história, para ser atraente, precisa ser bem contada, não bastam os livros didáticos despejarem nos alunos uma quantidade desacertada de informações, sem o componente artístico. Friedrich Schleiermacher, pai da hermenêutica moderna, afirma que a interpretação faz parte de um processo artístico. Contar história também faz parte dessa arte, a arte de interpretar e a arte de narrar.

O segundo elemento está associado ao sentido ou finalidade da história narrada. Geralmente, as narrativas propostas dos professores de História, que ainda insistem em um ensino conservador, se concentram nas narrativas desconexas com a realidade vigente, e da realidade do aluno em si. Nietzsche já fazia essa crítica à história do seu tempo, afirmando que a História sempre foi utilizada como condução moral, fazendo a manutenção das tradições e a compreensão da coisa inútil, elementos estes propícios à alienação e à coerção social.

A finalidade do professor de História, portanto, é permitir que seus alunos se percebam no tempo, se encontrem no movimento de sua existência, percebam-se como pessoas capazes de se acharem no espaço, e alterá-lo, mediante uma dinâmica do eu e do outro, na busca da justiça e da harmonia entre os indivíduos.

O Centro Universitário Araguaia - UniAraguaia pensa a Licenciatura em História como um processo transformador e libertador, que rompa com os padrões rígidos de ensino e busca pensar a história como reflexão dinâmica da vida.

Por Douglas Oliveira dos Santos
Historiador e Teólogo
Mestre e Doutor em Ciências da Religião
Coordenador dos cursos de Licenciatura em Teologia, História e Geografia da UniAraguaia