Foram 70 quilômetros – 42 deles pela manhã mais 28 km à tarde - e 10 horas de percurso na Rodovia GO-164, com largada na Cidade de Goiás, às 5 horas da manhã e chegada em Faina, às 19 horas, no dia mais exigente em termos de tempo e preparo físico. Afinal, foram seis horas na estrada, do período matutino (das 5 horas às 11 horas) e quatro horas à tarde (de 15 horas às 19 horas), com recepção na entrada da cidade e show à noite. Dia para apreciar a beleza da Serra Dourada, mas de exigir em demasia do corpo e mente dos 29 atletas – 25 homens e  as 4 mulheres – da 28 Caminhada Ecológica, na travessia de um dos mais belos cartões postais do Estado. O projeto entra nesta sexta-feira (19), a partir de 5 horas, no quarto e penúltimo dia – de Faina até a cidade de Araguapaz.

Com tamanha exigência dos atletas, obviamente o físico de cada um é exigido ao extremo. Então, aparecem bolhas, dores nas articulações, tendinites, fadiga muscular, canelites, calos, escoriações, tonturas, sensação de vômitos. Para cada situação, entra um jeito de ver e sentir a dor, de enfrentar o problema, de cada atleta. A dor extrema é o limite, mas há aqueles que acreditam que a preparação psicológica entra no lugar do preparo físico. “A mente tem de dominar o corpo”, recomenda Marcelo Marciano, garantindo que aprendeu isso há alguns anos. Por isso, diz que treina físico e cabeça para participar da Caminhada Ecológica.

Mas o sofrimento, as dores, são companheiras da rotina dos atletas. Capitão no terceiro dia, nesta quinta-feira (18), Esmeraldo José da Silva Filho, de 62 anos, experimenta nesta temporada o incômodo de dores no joelho esquerdo. Insistiu. Fez a seletiva à Caminhada Ecológica. Foi “desenganado” por dois médicos consultados, sobre a possibilidade de conseguir completar a seletiva. Insistiu.

 “Andei com dores. Nessa hora, você tem de buscar forças. Na cabeça, está a vontade de buscar o que está fazendo. Na seletiva, apareceram dores e busquei o jeito diferente de pisar. Agora, é tenho de encontrar uma forma de caminhar. Como o peso está sobre o joelho direito, por causa das dores no esquerdo, tenho de buscar esse equilíbrio, de andar com a lesão ”, citou Esmeraldo Filho, que usa uma proteção no joelho lesionado. Nesta quinta-feira, ele sentiu muitas dores e, em parte da tarde, passou tarja de capitão para Adaury Nonato Ramos, o capitão de quarta-feira. Esmeraldo teve de fazer tratamento.

Nesta sexta, o capitão seria Gilberto Tassara, com larga experiência no projeto. Mas Tassara acabou surpreendido com dores na canela esquerda, a chamada canelite, que costuma levar o local a ter até inflamação. Depois, voltou à pista e teve uma queda, ao tropeçar numa tartaruga (de sinalização), e ficou com algumas escoriações nas pernas. Mas buscou força para cumprir o percurso. Ele não será capitão e deve ser substituído por Adaury Nonato Ramos ou outro atleta mais experiente a ser escolhido pelo coordenador técnico, Antônio Celso da Fonseca. Tassara  precisou subir no Trailer de Atendimento Móvel da Unimed – empresa patrocinadora do evento – para receber atendimento médico.

A caminhada conta com trailer de Atendimento Móvel da Unimed – empresa patrocinadora do evento – equipado com quatro macas, um frigobar, dois balões de oxigênio, suporte para soro e ainda sustentado por um gerador, além de ser transportado por uma caminhonete, o trailer acaba se tornando um grande aliado na recuperação dos atletas. Neles, também ficam as mulheres, que fazem revezamento a cada 10k, 20km, dependendo da opinião de cada uma delas. O médico Paulo Milad e as equipes de enfermagem e fisioterapia também auxiliam no tratamento e na recuperação aos atletas dentro do veículo.

Estreante e praticante de triatlo durante alguns anos, Wilson Antônio da Slva, de 66 anos, é outro que sofreu com a canelite. Além disso, apareceram bolhas nos pés e em alguns dos dedos dos pés. Atendido no trailer e na pausa do almoço, na Associação Campo da Paz, antes de Faina, Wilson disse que “precisa ter cabeça para suportas as dores.”  Por isso, pretende ser resiliente, administrando as dores para completar os 310km, sábado, em Aruanã. “É muito gratificante, apesar de tudo. No próximo ano, quero fazer outro tipo de preparação para fazer a seletiva e fazer a Caminhada Ecológica”, disse Wilson.

A 28ª Caminhada Ecológica é realizada pelo POPULAR/Grupo Jaime Câmara (GJC), com patrocínio de Unimed Goiânia. O evento tem apoio de Detran/Governo de Goiás, Belcar, Bio Resíduos, Fast Açaí, Hospital Anis Rassi, Unifan, Sesi, Saneago, Casa da Nutrição Suprimentos e Probiótica. O apoio logístico é do Batalhão Rodoviário e do Corpo de Bombeiros de Goiás.